Ampliar os horizontes.

Mês de Março. Mês de Luta e de Memória.

Como historiador de formação, falar de memória é algo tão importante quanto a escrita. Memória são lembranças registradas em nossa caixa craniana, e que apresentam narrativas diversas de um mesmo fato, de um mesmo acontecimento para as pessoas.

A história falada tem uma grande importância nas culturas do continente africano. A Cultura Griot, cultuada no berço da civilização humana, tem a intenção de manter viva as histórias, contos e fatos históricos – que não foram retratados pelo homem branco – através da voz e da escuta. Ao usar a memória como registro podemos mostrar nossa visão sobre os acontecimentos e as situações que impulsionam todos nós para dar sentido a vida.

Em 2017 estamos vivendo, ou tentando sobreviver, em um estado totalmente desorientado e sem direção, sem rumo para seus cidadãos. A ausência de posturas capacita a alternância das situações e até mesmo o campo em que atuamos. A luta não era fácil, e agora ela tem se tornado algo estranhamente difícil de se identificar e, principalmente a quem combater. Por tudo isso, e tantas outras narrativas – como esta que voz escreve – tenho por apresentar não propostas para problemas conjunturais ou fictícios, mas pretendo descrever o que venho fazendo para, minimizar ao máximo, alguns danos que estão vir, e acredito que ele está logo ali em nossa frente.

Sobre memórias e histórias, vamos manobrando nossos corpos e ajustando alguns sentidos que acreditamos ser bons para nós, para possibilitar contatos e encontros com um universo – terra – mais humana e mais simpática. E é duro perceber que tudo isso pode, infelizmente deixar de existir, e a existência é a única certeza de que as coisas aconteceram – independente das interpretações, mas é ai que entramos com uma carta surpresa pois, para narrar tais fatos e acontecimentos advindos do lado de cá, precisaremos estar cientes de que nossas falas e escritas estarão em algum ponto deste planeta, como registro, como fontes para pesquisas futuras. Quem sabe né, quem sabe.

Neste mês pude observar o quanto a arte urbana, as intervenções nas ruas com lambs, graffitis, murais, pixações, tags de giz e até de folha de mamona, as expressões dos corpos, os movimentos das pessoas, os passos mais largos e outros mais perdidos, os rostos, as faces, as imagens impostas e uniformes do cotidiano, a ida do transporte coletivo para seus destinos mil, os poucos pássaros que aqui ainda re-existem para viver, o quanto tudo isso esta extremamente ligada em minhas produções, nas minhas peripécias de um adulto sem tanta formação assim, mas que sonha por um mundo melhor.

Graças a tudo isso que, consegui conhecer alguns lugares por conta da arte de rua, além de cidades maravilhosas, conheci diversas pessoas ligadas a este meio e tantas outras que nem tinham noção do que era graffiti, pixo, spray e etc. E sim, a vida é um grande aprendizado.

Aprender nunca será tarde. Conhecer nunca será o bastante. Saber de tudo não será o motor para continuar vivendo. Quero apenas estar presente nos lugares para observar o que há de simplicidade e sabedoria de cada lugar, de cada pessoa, de cada pulsar, de cada vida que ali esteve.

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xCHEx. SMUP. FELIPE URSO. CORRÓ. São Paulo – 2017.

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