História da Arte – Séculos: XVII e XVIII. Principais questões estéticas. #07

Principais ideias.

Ainda estamos dentro do Romantismo, porém este recorte foi apresentado no curso introdutório de História da Arte, realizado em 2015 pela Professora Elza Ajzenberg e Tatiana Ajzenberg no MUBE (Museu Brasileiro de Escultura – São Paulo). A ideia de apresentar este período no curso, foi por causa de algumas “mudanças” estéticas na forma e maneira de pintar telas e quadros, assim como o surgimento de diversos movimentos artísticos durante este período. Segundo alguns estudos, este período se caracterizou como importante pela “revolução” na forma de pintura que os diversos artistas construíram.

Dentre as mudanças radicais, encontra-se as mudanças nas criações das esculturas, onde ambas se tornavam “corpos com vida” de tão realistas que se apresentavam, para época.

Dos movimentos artísticos que surgiram ao mesmo tempo, estão: Barroco, Classicismo, Rococó. Tais movimentos se preocupavam, expressivamente com as questões estéticas em seus trabalhos.

Situação social e política.

Como afirmado acima, os séculos XVII e XVIII na História da Arte se encontrava o Renascimento, como eixo central das produções artísticas do continente europeu. Vale ressaltar que, até este momento os países ditos de “Novo Mundo” já tinham sido explorados, usurpados e devorados pela suposta hegemonia de seus descobridores, porém, nestas terras já se encontravam – a milhares de anos também, diversas produções artísticas, dentre elas as esculturas de vasos, desenhos corporais de grupos indígenas e grupos tribais espalhadas fora do contexto europeu, mas que por muitos motivos, não adentraram na discussão deste curso, mas que deixo aqui uma ressalva: nem tudo foi inédito e de criação europeia, muitas coisas foram capturadas e transfiguradas como criações deles, e não foi exatamente isso que aconteceu.

Seguindo adiante, o século XVI foi de transformações – no “Velho Mundo” após a queda de forças da Igreja Católica e o surgimento do Protestantismo, surgiu a Contra Reforma, onde a Igreja Católica se posicionou a frente da reforma protestante, criando assim a Companhia de Jesus, formada por padres jesuítas, com propósito de buscar em outras terras adeptos a sua religião e a sua pregação apostólica, de acredita em um único Deus e em uma única Igreja. Neste período, a arte e a sociedade se transformaram massivamente. A classe burguesa se instaurou em diversos locais, fazendo com que o papel da aristocracia decaísse consideravelmente, e assim transformando as sociedades em pequenos sistemas mercantilistas, que mais tarde se intensificaria com o sistema de lucre e exploração “capitalismo”.

No meio disso tudo, surgiu o Maneirismo, um movimento artístico pensado por Vasari e Hauser, originário da Itália. Esse movimento tinha como proposta, esboçar um apelo as emoções, aos questionamentos individuais e pessoais, e causar impactos de incomodo, exacerbação de poder e tensão de seus espectadores. Sua ação foi extremamente constatada nas pinturas, esculturas e na arquitetura italiana. Principais artistas deste período:

Matthias Grünewald (1470 – 1528) – retratava em seus trabalhos os sentimentos de dor e de sofrimento;

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O Retábulo de Isenheim – 1515

 

El Greco (1541 – 1614) – retratava em seus trabalhos a questão do sofrimento e dos sentimentos religiosos.

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O enterro do Conde Orgaz (1586-1588)

Barroco Século XVI

Período esse bem conhecido na arte, o seu significado deriva de “pérola irregular. Tais características que pertencem ao Barroco são: apelo as emoções, a dramaticidade e o contraste entre luz e sombra. Suas formas eram densas, profusão de curvas e trabalhos que ligavam o olhar para as diagonais.

Foram fortes nas esculturas, nas arquiteturas, brincavam com efeitos ilusionistas para confundir seus observadores. Não tinham apelo estético a geométrica, a linhas retas e nem perfeitas. Consideravam o Barroco como uma expressão artística confusa na arte.

Um dos principais expoentes deste período na História da Arte Barroca foi o artista italiano, nascido em Milão, Michelangelo Merisi, mais conhecido como Caravaggio (1571-1610).

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Vocação de São Mateus – 1600

Outros artistas importantes:

Peter Paul Rubens (1577 – 1640) – Artista ligado a corte, introduziu em seus trabalhos diversas paisagens da natureza e efetuou uma diminuição de cores escuras em suas telas (pouca sombra);

Rembrandt (1606 – 1669) – Pintor das sombras como ficou conhecido. Retratava pessoas marginalizadas fazendo uma ligação extrema entre Vida e Morte.

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A Lição de Anatomia do Doutor Jan Deyman – 1656

Diego Velasques (1599 – 1660) – Eis o pintor que foi totalmente inverso de Rembrandt. Ficou conhecido como o pintor da Luminosidade. Em suas produções, o mito tornava-se o foco principal de seus trabalhos, tornando-os como primeiro plano na observação de suas telas.

George de La Tour (1593 – 1652) – Presença forte do vermelho e da luz em seus trabalhos; Vermeer (1632 – 1675) – Artista holandês, retratava o cotidiano de trabalhadores do cotidiano.

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A Leiteira – 1660

Não podemos esquecer que no Brasil também tivemos um grande artista do período barroco. Filho de mãe africana e pai português foi criado nas Minas Gerais na cidade de Ouro Preto (local este onde se encontram diversas obras de arte, da arquitetura das igrejas barrocas e de pinturas expressamente significantes para a religiosidade do Brasil Colonial.

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, foi um dos grandes artistas, negros, que tivemos em nosso país. Mesmo sendo filho de um português, o preconceito, o racismo, a exclusão eram presentes no meio em que ele viveu. Antes mesmo de adoecer, fez grandes obras arquitetônicas, sendo um dos principais responsáveis da Arte Barroco no Brasil.

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12 Profetas. Aleijadinho. Congonhas/MG

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Fachada feita pelo Aleijadinho. Igreja São Francisco de Assis. Ouro Preto/MG

Classicismo Século XVII

Este período foi um dos mais curtos da História da Arte, se tratando dos demais que aconteceram na Europa, foi o que teve pouco tempo de via, mas teve sua contribuição para alguns estudiosos – inclusive nos cursos de História da Arte, pouco se fala deste movimento.

Os elementos da natureza eram as principais fontes de referências para as produções artísticas: Terra, Água, Fogo e o Sol.

Este período ficou conhecido como Quinhentismo e teve um caráter de valorização do homem, colocando-o no centro do universo: Antropocentrismo, assim como a Antiguidade Clássica Grego-Romana.

Nicolas Poussin 1594-166 – Francês de nascença mas se sentia como um romano. Passou maior parte da sua via produzindo em Roma. Foi um dos principais representantes da artes e do movimento Classicista.

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Vetúria aos pés de Coriolano.

Rococó XVIII

Eis um movimento artístico com um nome diferente. Quando escutava isso, quando criança – muito vagamente, pois minha casa não era de artistas ou algo do gênero, sempre achei interessante, engraçado e curioso pra saber o que significava Rococó, e para minha curiosidade ser acaba, somente depois de adulto, formado e com alguns contatos de pessoas ligadas a arte, soube que Rococó significa Rocaille = Concha.

Tal movimento teve um apresso muito grande em diversas áreas, deste a arquitetura a moda, aos conceitos de enfeites religiosos e afins, foi um movimento que mudou a estética da arte. A luminosidade noas telas e composições é bem difusa, e o espaço retornou para esta manifestação, ampliando assim o local de feitura das obras: ao céu aberto.

Foi considerada também uma Arte Feminina por retratar mulheres de diversas maneiras. Desde vestidas como semi-nuas. A maioria das imagens buscavam apresentar uma ligação com os sonhos e a natureza. Com a imaginação e com o espaço.

Um dos artistas que mais expressou a natureza difusa e a ligação com os sonhos foi Jean-Antoine Watteu 1684 – 1721.

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Peregrinação à Ilha de Cythera -1717

Giovanni Battista Tiepolo 1696 – 1770

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Alegoria dos Planetas e dos Continentes, 1752

Seguindo uma breve conclusão, cheguei a conclusão de que os séculos XVII e XVIII foi percorrido por mudanças estruturais nas artes, assim como nas sociedades que começavam a se tornar estados e outras a serem colonizadas com políticas de melhoramento, de organização e por ai vai.

Isso aconteceu com a grande instituição religiosa, que foi a Igreja Católica. Após a Contra Reforma, onde foi proposta mudanças de comportamento e de atitude da Igreja, visto as terríveis – e até hoje é assim – atividades executadas, com intuito de promover a fé e libertar as pessoas, a arte seguiu o mesmo caminho, mas nem todos artistas eram concomitantes em aceitar tudo o que  esta instituição determinava.

Muitos países da América Latina, do Continente Africano e até do leste europeu se opunham as determinações da Igreja, e com isso suas artes eram destruídas e seus artistas eram presos ou mortos, poucos conseguiam a liberdade. Liberdade essa que começou a ser questionada, por muitos intelectuais da época. Até mesmo pela pouca representatividade que a Igreja possuía após seu declínio de poder e de influência.

Por fim, deixo este artigo para ser rebatido, ser questionado ou mesmo lido e, se possível compartilhado. Se isso acontecer, darei por satisfeito pois o papel de escrever sobre assuntos, é para que o mesmo gere outros e novos assuntos.

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