História da Arte – Renascimento: Olhar para o passado e replanejar o presente. #06

Porque retomar o passado, sendo que o presente é inexistente?

Chegamos a um período considerado pelo pensamento histórico hegemônico e eurocêntrico, como sendo o período das grandes transformações e re-organizações das cidades europeias (depois deste período temos a chamada avançada mercantil, ou a exploração da colonização para outros territórios pelos europeus e suas des -potências civilizatórias), assim como novas descobertas e teorias sobre o mundo.

Primavera Sandro Botticelli

“A Primavera” Sandro Botticelli

O Renascimento foi, e continua sendo passado nas aulas de História em Escolas Públicas e também em diversas Universidades, um conteúdo arraigado de ideologias europeizadas, das quais podemos destacar: momento de observações e descobertas de novas experiências, uma nova formulação cidadã que buscava revigorar os costumes e as formas de convivência em sociedade, a procura incansável do conhecimento, a Universalização das Universidades, aprimoramento em pesquisas de textos antigos, como exemplo dos produzidos por Aristóteles (pensador grego, concretista com os pés no chão), preocupações com o mercado e com a economia e o desenvolvimento urbano intenso – explosão demográfica. Mas, o que não sabemos também é que com todos esses arcabouços e fazeres de uma elite próspera européia, não eram todos os locais que observavam e entendiam tudo isso de maneira tranquila e amiga. Combates com os povos árabes, conflitos nas divisas de continentes: Europa, Ásia, Oriente Médio e África  foram intensas demais, durante o Império Romano e após a sua “derrota”, fazendo com que a visão europeizada das coisas não se consolidassem pelo mundo.

Vários fatores foram decisivos para que algumas mudanças, e até mesmo a participação de grupos organizados “pequenos burgueses” nesta época, fizeram com que alguns desdobramentos avançassem de maneira trituradora em cima de outras culturas, de outras artes, de outros costumes e de outras vidas. Aquela velha frase de que: “Nada se cria, tudo se copia”, aqui se faz presente, tanto na essência quanto nas execuções artísticas.

A volta ao passado é sempre uma aventura, uma questão e uma nova descoberta.

Donatello São João Evangelista 1408 1415

São João Evangelista. Donatello 1408 – 1415

Os Mecenatos eram as famílias mais poderosas (financeiramente) que patrocinavam artistas e intelectuais na época. Constituíam essas famílias: os Médici, de Florença e os Sforza, de Milão. Diria que a maioria dos investimentos das produções artísticas e dos desdobramentos dos intelectuais advinham dessas famílias influentes.

Por mais que tenhamos um apresso as descobertas, as influências artísticas, aos desdobramentos de novas técnicas e o surgimento da tinta óleo – que possibilitou outros tipos de efeitos nas produções dos artistas, foi uma grande revolução para a arte pictórica – permitiu que os olhos voltassem para a Europa, fazendo com que o restante do mundo não existisse… E assim foi INFELIZMENTE.

Com o avanço das universidades (espaços de intelectuais, cientistas, pesquisadores), as pessoas que não adentravam nesses meios participavam  das Oficinas.

Nas oficinas eram oferecidas muitas coisas, as pessoas que frequentavam aprendiam de tudo sobre o mundo. Não era somente um local de estruturação de equipamentos ou de criação artística. Estudos sobre Matemática, Filosofia, Arquitetura, Escultura, realização de Alquimias, descobertas de cores e misturas intensivas de tintas e uma vasta e imensa pesquisa de tudo um pouco, eram executadas nas oficinas pelos seus frequentadores. Começava-se esses estudos e laboratórios desde muito cedo, crianças participavam de diversas ações nas oficinas.

Giotto di Bondone

Giotto di Bondone

Porém, tudo isso tinha função para o quê? Qual era a finalidade de uma oficina para diversas idade? Por que produzir tanto e para quem eram tais produções? Desejo artístico, expressão artística, contrato com os mecenatos, mercado, lucro, sobrevivência? Eis questões que podem nos levar a diversas interpretações, e diversas visões…

No mesmo momento em que o Renascimento buscava intensivamente revigorar as glórias do passado, na escassez do término do seu período, os pequenos burgueses e as famílias influentes que foram surgindo na Europa durante o século XVII começaram a extrapolar os 7 mares e buscar “matéria” em outras regiões, com apoio de alguns poderes institucionalizados. A igreja participou efetivamente deste processo para se alto repaginar perante a sociedade pós as atrocidades cometidas durante a Idade Média. Regiões essas que perderam suas identidades, suas ações locais e culturais com a invasão do homem branco. Talvez não fosse diferente pra época, visto a dinâmica e a descoberta de tais desdobramentos do ser humano. Porém, hoje temos a ciência de que nem tudo foi maravilhas, nem tudo foi tão lindo quanto ao trabalho de Giotto di Bondone, Giovanni da Fiesole, Donatello, Sandro Botticelli, Leonardo Da Vinci, dentre tantos artistas, tais obras tiveram suas contribuições, mas as mensagens que elas passam vão além da estética e além das técnicas, muitas obras simbolizam a realizada local e do momento.

Anunciação Leonardo da Vinci

“Anunciação” Leonardo Da Vinci

Acredito que arte também é potência, é riqueza e é política. Alguns acordos não eram feitos a toa, e sua persistência e impugnação vem até os dias atuais com outras roupagens e ideologias, claro o mercado se expandiu e com ele suas ideias e pensamentos também. Portanto, voltar ao passado é também rever posturas, ações, pensamentos e atitudes para não se cometer tremendos erros no presente. Cometer erros faz parte, tanto na vida quanto na arte, mas insistir em ações que não deram certo – na atualidade – talvez seja um tiro no pé ou uma atitude de renascer algo que não configurou nenhum tipo de ato mais humano, mais próximo e menos comercial. Senão, a proliferação do viver o passado, sem se preocupar com o presente, acabará respondendo tantas perguntas, que nos circundam a séculos, como:

Porque eu existo?

Qual minha função nesse mundo?

Quais as dicotomias entre: viver e morrer, ser ou não ser?

Ficaram como questões, ou não. Isso tudo dependerá da sua investigação e de onde queremos chegar. Seja num espaço, seja nas ideologias, seja na vida ou seja na arte. As coisas estão postas, mas elas também podem ser repensadas, recriadas para um bem maior, para uma satisfação maior.

Capela Sistina Vaticano Michelangelo

Capela Sistina – Vaticano. Michelangelo.

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